quinta-feira, 9 de março de 2006
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COMUNICADO


(Porque ninguém merece a inconstância do Weblogger, mesmo eu amando loucamente este Dupla de 1, que crio há quase quatro anos.)

Por **Lili Pelegrini** - 10:11:22 - 0 comentando...



terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
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OS NÃO-SHOWS

Quando eu tinha quatro anos, ganhei meu primeiro LP que não era da Xuxa. Minha prima Margaret, quase 15 anos mais velha que eu, costumava passar várias tardes lá em casa tomando conta de mim enquanto mamãe trabalhava. Descobriu logo que o que acalmava a pequena Liliane. Só que ela não tinha paciência para os "ilariês" da Rainha dos Baixinhos. Preferia tentar me distrair com algo um pouco mais quente, digamos, de forma meio simplista.

Do set list escolhido por Margaret, uma canção específica se destacava. Era "Where The Streets Have No Name", do U2. Na época, obviamente, não fazia a menor idéia de quem seriam Bono Vox, Larry Mullen, The Edge e Adam Clayton. Mas aquele ritmo, como minha prima costuma relembrar vez ou outra, me fazia esquecer qualquer choradeira. Margaret, então, deu de presente para mim - e de quebra para a mamãe, já que era antídoto infalível para as pirraças em potencial - o bolachão de "The Joshua Tree" que guardo até hoje em local de destaque na minha sala de visitas.

Anos mais tarde, já às voltas com o advento do compact disc, ganhei o primeiro item da minha coleção dos Rolling Stones. Em casa havia discos de Jagger e cia., mas eram de mamãe. Me sentia uma intrusa ao manusar aqueles discos pretos enormes. Mas naquele abril de 1995, eu assisti encantada às dancinhas endiabradas daqueles - então - cinquentões. Mesmo vendo pela Globo, a minha estupefação foi tanta que minha tia descobriu naquele momento - um sábado, se não me engano - qual seria o presente que me daria na segunda-feira, 13. Meu aniversário de 11 anos foi marcado, portanto, por um disquinho com o fino dos Stones - "Start Me Up", "Satisfaction", "Wild Horses" e congêneres.

Nos anos seguintes, eu já era uma consumidora voraz de letras e músicas. Stones e U2 passaram ilesos às febres juvenis, que fazem os gostos mudarem numa velocidade de 45 rotações por minuto. Continuavam meus mitos. Chegou 1998 e as duas bandas resolveram dar as caras no Brasil. Por um lapso cronológico - "vê se você está na idade dessas coisas, menina!" - não os pude ver pessoalmente, como eu sonhava. Mais uma vez, a telinha foi minha salvação: Jagger, na Globo; Bono, na MTV. Tudo o que eu queria era ser adulta e estar no meio de um daqueles espetáculos de catarse inexplicável.

Chegou 2006 e já devidamente munida da minha maioridade social, soltei rojões ao saber das novas passagens dos meus halleys: Stones, na praia de Copacabana; U2, no Morumbi. Desta vez, o lapso foi financeiro: adultos trabalham, têm responsabilidades, muitas contas para pagar e, geralmente, dinheiro insuficiente para toda as suas "adultices".

Ver Rolling Stones era um caso perdido - Jagger e seu 1,2 milhão de pessoas já se esbaldavam na noite carioca. Um feixe de esperança, porém, caiu por cina do U2. Não deu certo, porém. O jeito foi, mais uma vez, acompanhá-los pela televisão, emoção teleguiada. Os desencontros seriam uma maldição em cima de mim e dos homens que me fazem suspirar?

O caso é que eu, que fui a primeira a levantar o dedo ao saber da vinda dos meus meninos, não pude vê-los. De novo. Ainda. Mas não fica o ressentimento. Uma baita tristeza, talvez, pelas impossibilidades do destino. Fica, pelo menos, o conforto do namorado ("vamos vê-los na Europa, em breve"), a homenagem da editora e a certeza de que, como diria o Chico, "o amor não tem pressa, ele pode esperar".

Por **Lili Pelegrini** - 19:10:11 - 4 comentando...



sábado, 11 de fevereiro de 2006
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MINHA ALGA, MINHA ESTRELA, MEU AZUL

"... E pela primeira vez a água não parece fria nem escura, nem arde nos olhos quando mergulho. Mergulho fundo para voltar em seguida à tona, mas não consigo, qualquer coisa como algas ou raízes ou peixes ou mesmo estrelas me prendem a esse fundo de fogo claro. E me debato sem vontade, sabendo que além da superfície há um dia esmaecido, que ainda é outono e um pajem caminha num parque qualquer, todas as tardes, com um livro ou uma folha nas mãos douradas e sozinhas. Mas é azul à minha volta, e embora me doa essa azul entrando pelos sentidos, é ali que quero ficar agora, naquele fundo claro de fogo, com algas madrepérola aprisionando meus tornozelos..."

(Este é um trecho de "Qualquer Coisa", conto inédito - publicado na edição de fevereiro de Bravo! - de Caio Fernando Abreu, meu deus da literatura brasileira, lado a lado com o deus-mór: Érico Veríssimo. Ah, informação importantíssima: tal trecho vai, com todo meu coração, para minha Alga Madrepérola.)

Por **Lili Pelegrini** - 11:29:50 - 3 comentando...



quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006
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MAR

Um, dois, três. Fecha os olhos e estanca essa água que só quer sair para lhe afogar.
(Porque tem coisa que não dá para comprar e nem para obrigar que o outro nos dê de presente, por mais que desejemos isso.)

Por **Lili Pelegrini** - 09:56:43 - 7 comentando...



segunda-feira, 23 de janeiro de 2006
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TODAS AS RODAS

Quando penso em descobrir detalhes de possíveis destinos de viagem, o primeiro salvador cibernético que me vem à cabeça é o Guia4Rodas. Não importa se a intenção é cair na badalação na maior capital do país ou naquele recôncavo mais insólito e escondido dos cafundós brasileiros.
É praticamente impossível não achar uma informação no Guia4Rodas. A edição 2006 - que já está nas bancas e, também, com o conteúdo on-line disponível no www.guia4rodas.com.br¹ - reúne 5.583 hotéis, 2.287 restaurantes, 4.389 passeios, 40 sugestões de roteiros de viagem, com cidades turísticas divididas por região, além de mapas, um guia rodoviário e tudo mais que alguém precisar para fazer uma viagem com "V" maiúsculo. E o melhor: tudo é testado e classificado por uma grande equipe de repórteres e editores.
Quem dá um giro pelo Guia4Rodas costuma incorrer na doce ilusão de que ser repórter dessa "instituição" de jornalismo de turismo é o emprego mais bacana e mais relaxante da face da Terra. "Nossa, como eu queria uma vida assim: viajar, conhecer um monte de lugar, comer coisas diferentes e, ainda por cima, receber um salário por isso", devem pensar os espertinhos. Eu mesma já pensei assim. Mas ser repórter do Guia não é essa moleza toda, não. E quem bate o pé nessa afirmação é José Eduardo Camargo, editor do Guia. "Desconfie de um dia muito simples, pois ele pode ficar complicado no final" - esse é o lema do cara.
Para saber mais sobre como "nasce" o Guia4Rodas, nada melhor do que perguntar para ele, "o poderoso chefão". Por isso, o blogdepapel (*) não teve receio de sacar da agenda o celular do José Eduardo e atrapalhá-lo durante as férias na pacata e tipicamente mineira cidadezinha de Nepomuceno. "Mas repórter do Guia até quando está de férias presta atenção no que pode virar uma boa dica para publicarmos", confessa. Vamos ao papo:

Revela aí, Zé. Como vocês descobrem aquelas coisas que vemos no Guia4Rodas?
Bom, nós temos uma grande equipe que todos os anos percorre o Brasil inteiro. Cada repórter faz uma média de seis viagens anuais, cada uma delas com mais ou menos 25 dias de duração. Visitamos obrigatoriamente todos os hotéis da cidade, vamos aos restaurantes, fazemos uma pesquisa intensa antes de chegar a cada cidade. A gente não se identifica como repórter do Guia. Testamos tudo como se fosse um turista comum (só que fazendo uma avaliação crítica, é claro) e é por isso que as informações são confiáveis, já que o cara chega num lugar e vai passar exatamente pelo que passamos.

E quanto tempo demora para fazer toda essa "ronda"?
É trabalho para o ano inteiro. Nós nem entramos em 2006 e já estamos preparando o material para a edição de 2007.

Como é ter um emprego que todo mundo encara como diversão?
Olha, é muito mais cansativo e estressante do que parece. As pessoas têm uma idéia glamourosa da coisa, mas chega a ser uma tarefa repetitiva, já que, de repente, a gente passa por 30 hotéis em três dias inspecionando tudo. E a gente passa quase um mês longe da família, às vezes passa aniversário fora de casa. Eu já assisti a Copa do Mundo no meio do Pantanal, sozinho, enquanto estava todo mundo vendo com os amigos.

Imagino que você deve encontrar muita coisa insólita por aí...
Uma vez, eu estava numa ilha entre o Pará e o Maranhão e tivemos que parar no meio do caminho durante a travessia de barco porque lá existe uma crença que mulher grávida a bordo traz mau agouro. Tem muitas outras histórias, cada uma mais bizarra que a outra...

___________________
¹O site do Guia4Rodas tem uma boa parte de conteúdo que é de livre acesso. Porém tem coisas - as mais bacanas, como, por exemplo, a possibilidade de calcular a distância entre o seu ponto de partida e o destino que quer alcançar - que são restritas para os assinantes. Para assinar, navegue: www.assineabril.com.











(*) Texto originalmente publicado na minha coluna blogdepapel, que sai às quintas-feiras no caderno Magazine do jornal O Tempo (Admito: a reedição é preguiça de produzir coisa nova para cá mesmo... Mas antes isso do que deixar o blog mofando, não acham?).

Por **Lili Pelegrini** - 12:26:55 - 7 comentando...



terça-feira, 17 de janeiro de 2006
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UI, UI, UI...

Só pode ser imprudência quando, de repente, você se vê completamente entregue, sendo que já havia se prometido por um milhão e meio de vezes que nunca um homem iria lhe ver toda cheia de carinhos e dengos, cantarolando besteiras, propondo fugas impossíveis, fazendo vozes de desenho animado, cedendo aos arroubos mais inconsequentes. "Homem deve ser tratado às chibatadas" - este era o lema. O grande problema é que meu Id manda e desmanda, meu Ego está de pleno acordo com o voluntarioso irmão caçula e o Superego, coitado, anda deveras atrofiado. Que se dane: ninguém aqui disse que prudência é meu sobrenome mesmo.

Por **Lili Pelegrini** - 19:03:25 - 2 comentando...



terça-feira, 10 de janeiro de 2006
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FERDI

Pode parecer bobagem, mas, sinceramente, para mim é foda. Antes, era tudo muito fácil. Bastava esticar o braço e pegar o fone que os dedos corriam automaticamente por aqueles oito dígitos, há tantos anos familiares. Se quisesse encontrar, então, moleza: foram uns dez anos sem interrupções, convivência de pelo menos cinco dias por semana, cinco horas por dia, daí para mais. Não precisava marcar, não precisava de cerimônia. Houve época que era estudo de manhã (desde a época de colégio, ainda meninas, até a faculdade, profissionais de verdade), estágio à tarde, espanhol à noite, horas e horas de traslado nos 1204's e seus congêneres. Tanta vida e tanta coisa em comum que mais parecia um casamento - inclusive nas brigas (que eram poucas, às vezes duras, mas sempre superadas pelo imenso e inato amor fraterno).

Mas agora... Há o mesmo amor, a mesma cumplicidade, mas, que saco, é duro de aceitar que minha amiga, minha melhor amiga, está fora do alcance do meu perímetro urbano, que agora temos que nos enquadrar em calendários, feriados, brechas nas agendas de ambas para ter de volta aquela convivência que era tão parte da rotina.

Quando ela falou que ia se mudar, não levei a sério. Achei que mais uma daquelas estripulias de sempre. A data da tal mudança foi se aproximando e eu saquei que aquela brincadeira tinha mais do que um fundo de verdade. "Sem egoísmo, sem egoísmo, sem egoísmo...". A frase, repetida como um mantra, servia para me esclarecer que, ora bolas, se assim seria melhor, eu tinha mais é que dar força para minha amiga. E foi o que eu fiz - tentei, pelo menos.

Era um inferno encarar o fato com uma espécie de "imparcialidade jornalística" todas as vezes que alguém vinha com aquela cara chorosa, dizendo "Ih, e você como vai ficar quando ela estiver morando lá? Logo as duas, sempre juntas em tudo..." A tirada, sei lá se piedosa ou irônica, incomodava. Não que não vida além da nossa própria amizade, pelo contrário. Fazer (quase) tudo em parceria não era uma obrigação, uma dependência. Era, simplesmente, muito mais agradável, muito mais divertido, muito mais fácil e normal para nós duas.

Não me venham falar em drama: de fato, nunca me passou pela cabeça que a transição BH-Guarapari vai abalar nossa amizade. Além dos laços fortes, logo estaremos aí vencendo os quilômetros que separam a praia da montanha. Só que não dá para negar que a cidade fica muito mais sem graça quando a amiga-gêmea não está aqui (e para me matar de chorar, ainda por cima, na véspera da mudança, chego em casa, páro na portaria para pegar correspondência e o que o porteiro está ouvindo? "Amigo é coisa pra se guardar..." Essa música ainda continua nas paradas de sucesso ou simplesmente não foi mera coincidência?).


P.S.: Servidor ainda instável e cheio de vontade própria. Osso...

Por **Lili Pelegrini** - 16:57:47 - 7 comentando...



terça-feira, 27 de dezembro de 2005
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MIRAGEM?

Desta vez não foi culpa minha. As aranhas bloguísticas surgiram única e exclusivamente por conta de uma catatonia-mór e sem a mínima explicação deste nosso querido Weblogger. Vai entender esses servidores...
O fato é que, depois de mais de mês de um coma total e arbitrariamente induzido, a surpresa de conseguir, finalmente, entrar no sistema de postagem foi tanta que eu nem sei o que escrever. Estou deveras emocionada - e não, isto não é uma piada. Deixo, então, o registro de que este blog que vos fala ainda vive - apesar dos pesares - e já alerto que vindouros sumiços podem ocorrer novamente por mais dessas falhas técnicas absurdas. Como vocês sabem, tudo que é bom (no caso, "bom" é igual a "blog funcionando com o mínimo de normalidade possível") dura pouco.
Mas uma reviravolta vai acontecer... Ah se vai!

Por **Lili Pelegrini** - 17:25:06 - 11 comentando...



segunda-feira, 21 de novembro de 2005
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UM MÊS DEPOIS...

O fato é que eu estou às voltas com coisas demais. Aí alguém pode me alfinetar: "ué, mas se a sua vida está tão movimentada, assunto é o que não falta". É vero, assunto não falta. O problema é que todas essas coisas sugam meu tempo, não consigo dois segundos para digitar um "www.weblogger.com.br". E, vamos falar a verdade: nem tempo, nem ânimo. Aí eu lembro daquele filme "Eu, minha mulher e minhas cópias". Tudo o que eu queria nessa fase da minha vida era uns dois ou três clones, quem sabe quatro ou dez, vai saber... Só sei que preciso de mais mão-de-obra própria para resolver minha vida. É correria de jornal diário, é fechamento de revista, é computador estragado, é conta para pagar, advogado para consultar, orçamentos, gráficas, diagramação, matéria para escrever... Isso sem contar que quem vive de escrever, às vezes, quer fazer qualquer coisa, menos... ESCREVER! Temos aqui o velho "em casa de ferreiro, espeto de pau". Pois é isso, então. Jornalista de casa não faz milagre. Nem blog.

Por **Lili Pelegrini** - 09:21:41 - 5 comentando...



quinta-feira, 20 de outubro de 2005
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COM OS MEUS BOTÕES

"De modo que a vida
É um circo de feras
E os entretantos
São a minha espera"

(Xutos & Pontapés)

Por **Lili Pelegrini** - 18:01:39 - 11 comentando...



quarta-feira, 5 de outubro de 2005
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SORTIMENTO

* Momento-ralação

Fiz minha primeira viagem para cobrir algum acontecimento jornalístico. Foi domingo e a ocasião era o lançamento da exposição que marca o início das gravações da minissérie "JK" na histórica Tiradentes. Tinha um monte de gente importante, um monte de outros jornalistas e eu, debutando. Entrevistei um monte de gente, tipo o Luís Melo e o Dênis Carvalho. Nem lembrei que estava nervosa (e ainda cismada de que ia acontecer um acidente comigo na estrada durante a viagem de volta) e a coisa fluiu. Outro dia entrevistei um canadense totalmente por acaso, a pauta era de um amigo, mas, como ele não sabe falar inglês, a bomba estourou de última hora na minha mão. Tive que tirar perguntas da cartola na hora. Mas rolou. Tive que entrevistar a Omara Portuondo, do Buena Vista Social Club, e acabei descobrindo que meu espanhol anda defasado (tengo que practicar!), mas ainda consigo entender o forte sotaque cubano. Todas essas situações me fizeram passar por segundos de tensão antes de, finalmente, acontecerem. Mas nada comparado ao pânico de entrevistar os Titãs. Dedos endurecidos, mãos suando frio, voz trêmula, coração na boca. Mas por quê, meu Deus? Nós falamos a mesma língua, eu sabia muito bem o que perguntar, estava no meu território... Será que o fato de, um dia, já ter querido casar e ter dez filhos com um deles (shame on me!) explica? Aff.


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* Momento-cocô-de-pombo-na-cabeça

Não bastava já ter saído da Redação umas 11 e tanta da noite em plena sexta-feira. Eu tinha que perder o "meu" maldito ônibus que demora uns 40 minutos para passar (ah, trocadores podres que esquecem de trocar a plaquinha "Riacho" para "Betânia"!). Mas ainda não estava suficiente. Eu tinha que me lembrar que, no sábado, eu era obrigada a acordar às 6h. Mas tudo bem. Só que ainda tinha aquele vento cortando o meu rosto. E nada do outro ônibus vir. Finalmente ele veio. Mas eu não podia simplesmente chegar em casa, assim, sem nenhum problema. No meio do caminho, um sujeito pula na frente do ônibus. E o ônibus, o "meu" ônibus tão aguardado, o atropela. Barulho, sangue, gente gritando (o cara, pelo menos, não morreu). Eu "nem" tenho trauma de atropelamentos...


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* Momento-criança-carente

Já estava passando da hora. Em seis meses (não espalhem!), eu nunca tinha chorado para ele. Como assim? Logo eu, que já chorei até em apresentação de trabalho de História da 8º série sobre o Getúlio Vargas? O botãozinho da carência-mór se auto-ativou. Surgiram, então, milhares de caraminholas na cabecinha ruiva. Lágrimas, lágrimas, lágrimas. Diálogo se segue (algo mais ou menos assim). "Mas eu nem sei se a gente está junto mesmo!". "A gente se fala todo dia, se encontra pelo menos umas duas vezes por semana, a gente dorme junto, você conhece a minha família, eu fiz um almoço para sua mãe. Do que você chama isso?". "Namoro". "Quer namorar comigo?". Mais choro. Mas, agora, de um outro tipo: puramente feliz.


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* Momento-que-nunca-passa

Saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade. Hoje faz 11 meses que meu Avôzinho morreu, mas ainda sinto como naquele dia. Ao mesmo tempo, parece que vou encontrá-lo toda vez que eu entrar lá na casinha dele. Saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade, saudade.

Por **Lili Pelegrini** - 10:02:12 - 13 comentando...



segunda-feira, 19 de setembro de 2005
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"ELA VEM CHEGANDO..."

Como eu imaginei, muita gente ria quando eu contava do drama dos últimos dias. Se alguém passava por perto e me ouvia comentando sobre internação, operação, remédios, infecção, logo vinha consternado querendo saber quem era o doentinho da família. É a Lully, minha cadelinha. Incontáveis expressões de desprezo, de zombaria, um "ahhh" de doer. Mas e daí? Lully foi internada, operada e, agora, está em casa recebendo todos os cuidados, carinhos e beijinhos. Amiga fiel.
Ela vai ficar boa. "E, feliz, vou esperando". Gracias aos veterinários, às boas vibrações de quem entendeu minha tristeza sem fazer chacota, às proteções celestiais. Gracias, gracias, gracias.

Por **Lili Pelegrini** - 00:47:02 - 14 comentando...



terça-feira, 13 de setembro de 2005
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SÃO FRANCISCO, PROTETOR DOS ANIMAIS, ROGAI POR NÓS

Certa vez, numa música, Dorival Caymmi disse que "quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé". Eu, particularmente, não sou muito afeita ao balanço do pandeiro e do cavaquinho. Mas não acho que, por causa disso, eu não seja dos melhores exemplares da raça humana. Convenhamos: samba é só um tipo de som, afinal.

Como o Caymmi, eu tenho uma tese, só que diferente. Acredito que quem não gosta de criança e de cachorro é que tem problema. Onde já se viu! Mais do que de som, aqui estamos falando de vida. Criança tem toda aquela pureza que a gente devia observar e aprender. E cachorro é de uma fidelidade e de um companheirismo que, na maioria das vezes, nenhum ser humano é capaz.

Foi em janeiro de 1994 que vi pela primeira vez minha companheira de mais longa data. Naquela época, ela era apenas uma pequena bola peluda de um mês de idade. Eu tinha acalentado o sonho de ter uma daquelas por muito tempo, até conseguir dobrar minha mãe e sua velha história de que "cachorro em apartamento é um inferno". Quando fui na casa de uma amiga escolher qual seria a minha cadelinha de e

Uma amiga da família tinha uma cadela que tinha dado cria. Eu a acompanhei desde o início da gestação. Era como se fosse a minha barriga de aluguel. Depois que os filhotinhos já estavam um pouco crescidos, fui à casa da tal amiga escolher qual seria o meu. Não escolhi, foi ela, a pequena, que me escolheu. Meio desajeitada, com as patinhas de recém-nascida escorregando no chão de ardósia, ela veio em minha direção, abanou o rabinho, deu uma risadinha (porque, sim, cachorros riem) e, desaforada, fez xixi bem perto dos meus pés. Desde então, ela é Lully, aquela que pula enlouquecidamente ao me ver chegar em casa (mesmo que eu só tenha ficado fora por uns cinco minutos), que late desesperada ao me ver saindo para trabalhar, que come minhas meias e arranha meu colchão, que deita e fica do meu lado como estátua quando sente que estou triste.

São quase 12 anos de convivência, uma vida de mãe e filha. Hoje, minha Lully está doente, internada, se preparando para uma cirurgia. Muita gente pode achar ridículo, mas eu estou tensa, em pânico, porque, sim, ela é um membro da minha família. Daí alguém pode virar e falar que é só um cachorro, que não pensa, não tem sentimentos. Pois ao contrário. Tem muita gente que com toda sua racionalidade, toda sua articulação não foi (nem é) capaz de dar o amor que uma cadelinha como a Lully pode dar. Nunca ninguém em tempo algum me foi tão companheiro. Dou de ombros para os (falsos) inteligentes, para os (falsos) humanos. Quero mais é minha Lully em casa. E logo ela voltará. Maktub. Assim seja. Amém.

Por **Lili Pelegrini** - 01:28:15 - 11 comentando...



segunda-feira, 5 de setembro de 2005
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AVISO

"EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA".
E tenho dito.
(Entendam como quiserem, ok?)

Por **Lili Pelegrini** - 00:09:22 - 5 comentando...



segunda-feira, 29 de agosto de 2005
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CRÔNICA DE UM AMOR NOVO

E se eu lhe dissesse tudo que eu penso? Você daria conta de ouvir sem tremer nas bases, de entender sem fugir correndo? A verdade nem sempre vem para machucar, mas, ah, eu sei (e como sei) que nem todo mundo tem estômago para ela, mesmo que seja uma verdadezinha boa, um "gosto de você", um "fica comigo". Você faria como os outros, me abandonaria? Se você me abandonasse, não serviria para mim. Era quase um teste. Involuntário, mas um teste. Gaguejei. Relutei. Emudeci. "Acho que estou me apaixonando por você". Desembuchei, enfim. Num abraço, você me acarinhou. Nem precisava falar um "eu também". Não queria ouvir. Não preciso. Só precisava que você não fugisse. E você não fugiu.

Por **Lili Pelegrini** - 01:25:04 - 11 comentando...



DUPLA DE 1
"Somos, não sei como, duplos em nós mesmos, pois descremos daquilo em que acreditamos e não conseguimos nos livrar do que condenamos."
(Montaigne)

online



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Liliane. Irônica. Alegre. Impulsiva. Melancólica. Misteriosa. Confiável. Boba. Instável. Exagerada. Passional. Imprevisível. Dramática. Prolixa. Belo-horizontina. Atleticana. Jornalista. Apaixonada (por livros, discos, bichos, pessoas).

***

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"Eu não sou infinito nem eterno:
animais de um restrito espaço-tempo
nosso tempo é o agora
(quando somos)
nosso espaço é o aqui
(onde pousamos)
e queremos tudo
aqui e agora
e com todo o direito de o querer
pois somos parte e fonte desse todo."
(Pedro Lyra)

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